Perfis fake entre alunos: o risco invisível que pode se transformar em uma grande crise para a escola

20/07/2026 Bullying
O bullying mudou de forma.
Se antes as agressões aconteciam principalmente nos corredores, pátios ou salas de aula, hoje muitos conflitos começam em ambientes digitais, longe dos olhos dos professores e das famílias.
Entre os instrumentos mais utilizados nesse cenário estão os chamados perfis fake, contas falsas criadas para atacar, humilhar, expor ou intimidar colegas de forma aparentemente anônima.
Para muitas escolas, esse é um dos riscos mais difíceis de identificar. Afinal, os ataques não acontecem fisicamente dentro da instituição. No entanto, seus efeitos costumam chegar rapidamente ao ambiente escolar.
E é exatamente por isso que os perfis falsos precisam estar no radar dos gestores.
O anonimato cria uma falsa sensação de impunidade.
Muitos estudantes acreditam que criar um perfil falso significa estar protegido de qualquer consequência.
Utilizando nomes fictícios, fotografias alteradas ou contas sem identificação clara, alguns jovens passam a publicar:
- Comentários ofensivos;
- Insultos anônimos;
- Boatos sobre colegas;
- Exposição de fotos;
- Montagens constrangedoras;
- Perfis de “fofocas escolares”;
- Enquetes humilhantes;
- Conteúdos discriminatórios.
A falsa sensação de anonimato faz com que comportamentos que dificilmente ocorreriam presencialmente passem a acontecer no ambiente digital.
Quando o perfil fake se transforma em cyberbullying
Em muitos casos, a criação de um perfil falso não é apenas uma brincadeira.
Ela se transforma em uma ferramenta de cyberbullying.
A vítima pode ser alvo de ataques repetitivos, exposição pública, isolamento social e danos emocionais significativos.
É comum que o estudante afetado apresente sinais como:
- Queda no rendimento escolar;
- Falta de interesse pelas atividades;
- Mudança de comportamento;
- Ansiedade;
- Medo de frequentar a escola;
- Isolamento social.
Embora a agressão ocorra na internet, seus efeitos são extremamente reais.
O problema quase sempre chega à escola
Muitos gestores acreditam que, por ocorrer fora do horário escolar, o problema pertence apenas às famílias.
Na prática, raramente é assim.
Os conflitos digitais costumam gerar:
- Discussões entre alunos;
- Conflitos entre famílias;
- Reclamações contra a escola;
- Exposição de professores;
- Crises em grupos de WhatsApp;
- Questionamentos sobre a segurança institucional.
Por isso, ignorar o problema normalmente não resolve a situação.
Como a escola deve agir?
O primeiro passo é acolher a denúncia.
Mesmo sem conhecer imediatamente o autor do perfil, a escola deve:
- Registrar a ocorrência;
- Ouvir os envolvidos;
- Preservar evidências digitais;
- Orientar as famílias;
- Avaliar impactos no ambiente escolar;
- Promover ações educativas.
O objetivo inicial não é encontrar culpados a qualquer custo, mas compreender a situação e proteger os estudantes envolvidos.
Guardar evidências é fundamental
Uma dificuldade comum nesses casos é que os conteúdos podem ser apagados rapidamente.
Por isso, orienta-se preservar:
- Capturas de tela;
- Links dos perfis;
- Datas das publicações;
- Mensagens recebidas;
- Imagens compartilhadas.
Essas informações ajudam a compreender o caso e documentar adequadamente os fatos.
Educação digital é a melhor prevenção.
A criação de perfis falsos normalmente não acontece por falta de tecnologia.
Ela acontece por falta de consciência sobre os impactos do ambiente digital.
Por isso, escolas que investem em cidadania digital trabalham temas como:
- Respeito online;
- Empatia nas redes sociais;
- Uso responsável da tecnologia;
- Consequências do cyberbullying;
- Direito à imagem;
- Privacidade digital.
A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz.
A LGPD também merece atenção
Em muitos perfis falsos ocorre a divulgação indevida de imagens e informações de estudantes.
Fotografias, vídeos, apelidos, dados pessoais e situações da rotina escolar podem ser utilizados sem autorização.
Além dos impactos emocionais, isso gera preocupações relacionadas à privacidade e à proteção dos dados de crianças e adolescentes.
Por essa razão, a escola deve reforçar continuamente a cultura de proteção de dados e respeito à imagem dos alunos.
A importância de canais seguros de denúncia
Um dos maiores desafios é que muitos estudantes têm medo de relatar o que estão vivenciando.
Receio de represálias, vergonha ou medo de não serem acreditados fazem com que diversas situações permaneçam ocultas por muito tempo.
Por isso, escolas modernas vêm investindo em mecanismos de escuta protegida.
Conheça o Canal de Denúncias Educacional:
O maior risco é acreditar que o problema não existe.
Uma das características dos perfis fake é justamente sua invisibilidade.
Muitas vezes, a escola somente toma conhecimento quando o dano já ocorreu.
Por isso, instituições que trabalham prevenção, monitoram sinais de conflitos digitais e fortalecem seus canais de comunicação conseguem identificar situações muito antes de elas se transformarem em crises.
Conclusão
Os perfis fake representam um dos maiores desafios atuais da convivência digital entre estudantes. Embora pareçam agir nas sombras, seus impactos podem afetar profundamente a saúde emocional dos alunos, o clima escolar e a reputação institucional.
Mais do que reagir aos incidentes, as escolas precisam investir em educação digital, prevenção ao cyberbullying e mecanismos seguros de acolhimento e denúncia.
Para acompanhar mais conteúdos sobre bullying, cyberbullying, LGPD, redes sociais e proteção digital de crianças e adolescentes, acompanhe o canal da Dra. Ana Paula Siqueira: Canal Direito Digital Educacional
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